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Mariz, Joaquim de, 1847-1916
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Joaquim de Mariz Júnior, nasceu em 28 de Janeiro 1847, em Coimbra (Portugal). Filho de Joaquim de Mariz e de Maria José Pinto. Realizou todos os seus estudos em Coimbra. Licenciou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, tendo obtido algumas distinções durante o curso. Exerceu clínica durante algum tempo, até que, em 1879, concorreu ao lugar de naturalista adjunto à cadeira de Botânica da Universidade de Coimbra, cargo que conservou até à sua morte.

Foi um cientista empenhado, realizando sempre o seu trabalho com muito zelo. Destacou-se como taxonomista botânico. Estudou exaustivamente a flora fanerogâmica portuguesa, tendo-se debruçado sobre mais de 200 espécies, que lhe foram enviadas pelos sócios da Sociedade Broteriana. Fez um trabalho monumental de identificação e classificação de exemplares botânicos. Tomou para si a revisão do grande herbário do Jardim Botânico de Coimbra, muitos são os espécimes existentes neste vasto herbário cujos nomes não tenham sido escritos por si. Compôs vários trabalhos de botânica descritiva sobre muitas famílias: Papilionaceas, Cruciferas, Ranunculaceas, Cariofiláceas, Crassulaceas, Geraniaceas, Compostas, Umbelíferas, Poligonáceas. Chenopodiáceas, Valerianaceas, Dipsaceas, Ambrosiaceas, Primulaceas, Gencianaceas, Solanaceas, Convolonlaceas, Cuscutaceas, Caprifoliaceas, Ericaceas, Monotropeas, Vaciniaceas e Verbásceas. Foi um trabalho grandioso e de importância crucial para o estudo da flora portuguesa.

A sua perícia como taxonomista botânico tornou-o muito solicitado por outros grandes botânicos da sua época. Colaborou ma elaboração das Floras de Portugal de Gonçalo Sampaio e António Xavier Pereira Coutinho, esclarecendo muitas dúvidas e identificando muito material para estes dois autores.

Produziu muitos trabalhos de botânica, onde se incluem inúmeros catálogos de plantas, que foram publicados no Boletim da Sociedade Broteriana, Sociedade da qual era sócio e incansável colaborador.

Realizava com frequência herborizações, durante as quais colhia muitos exemplares para herbário. Durante estas incursões ao campo, descobriu bastantes espécies novas, para o país e para a ciência, e deu um contributo importante para traçar o mapa geobotânico de Portugal.

Realizou uma expedição científica prolongada a Trás-os-Montes, especialmente no distrito de Bragança, tendo estudado aprofundadamente a flora transmontana. Nesta sua empreitada, procedeu a vastas colheitas de plantas e a observações metódicas. Os catálogos das plantas colhidas e o registo das observações feitas encontram-se publicados no Boletim da Sociedade Broteriana.

Joaquim de Mariz era detentor de bons dotes artísticos como desenhador e gravador. São da sua autoria várias gravuras ligadas ao Jardim Botânico, como «a Estufa», de 1867.

Morreu no dia 1 de Abril de 1916, vítima de uma pneumonia.

Jorge Guimarães

 
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