Sumário
descritivo:
Repositório: Biblioteca do
Departamento de Botânica, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade de
Coimbra. Localização: Departamento de
Botânica. Cota: Fundo JH – Sub Fundo Moller Criador: Adolpho Frederico Moller Título: Fundo Júlio Henriques –
Subfundo Moller Data(s): 1877-1910
Quantidade: 226 documentos descritos.
Resumo: Correspondência recebida
e documentos avulsos do botânico Frederico Moller. Informação sobre o modo de
aquisição: Pertenceu ao Instituto Botânico.
Organização: Incluído no Fundo JH
Ordenação : Ordem alfabética dos correspondentes
Acessibilidade: Acesso restrito.
Acesso ao espólio (correspondência recebida)
Nota Biográfica
Adolpho
Frederico Möller, filho de Henrique Möller e de Sofia Lindenberg, nasceu no dia
31 de Outubro de 1842, em Lisboa (Portugal). Fez a instrução primária e
secundária em Lisboa, nos colégios Luso-britânico e Alemão. Em 1857, partiu
para a Alemanha onde frequentou um curso de Silvicultura Prática, que conclui
com distinção. De regresso a Portugal, em 4 de Outubro de 1860, foi nomeado
para trabalhar como silvicultor na Administração Geral das Matas do Reino, e em
1862, foi nomeado para desempenhar serviços na Administração dos Pinhais
Nacionais da Machada e Vale do Zebro, onde passou a efectivo em 1863. Em 1864,
com a criação do Corpo de Engenharia Civil, foi colocado, por Decreto de 28 de
Dezembro, no corpo auxiliar, e em 3 Junho de 1865, é destacado para fazer
serviço na Direcção das Obras Públicas de Coimbra, onde permaneceu até 3 de
Agosto de 1866.
Entre 4 de
Agosto de 1866 e 31 de Dezembro 1873, desempenhou o cargo de Chefe da Secção
Florestal da Direcção para Administrar as Obras do Mondego. As suas raras qualidades
de carácter e de trabalhador metódico e incansável não passaram despercebidas
e, a pedido da Faculdade de Filosofia, o reitor da Universidade de Coimbra,
então o Visconde de Villa Maior, requereu ao ministro das obras públicas para
que Adolpho Möller fosse fazer serviço no Jardim Botânico da Universidade. Em 1
de Janeiro 1874, foi nomeado interinamente Inspector do Jardim Botânico. A
função que desempenhou como Chefe dos Trabalhos Práticos do Jardim foi
determinante para o engrandecimento do Jardim Botânico como instituição e no
papel que este teve na promoção da agricultura colonial, nomeadamente na
cultura da “Quina”. No âmbito da silvicultura, foi ele que deu o primeiro
grande impulso à arborização de Portugal, promovendo a criação de viveiros
florestais. Os viveiros florestais do Choupal e de Vale de Canas, foram criados
por ele e tiveram enorme importância no repovoamento florestal português.
Teve um
contributo importante na elaboração das colecções de diversos herbários, entre
os quais se destacam quais se destacam o “Herbarium Normale de Schultz”, e o
“Herbário Médico do Gabinete de Matéria Médica da Universidade de Coimbra”, que
lhe valeu votos de louvor e agradecimento da Faculdade de Medicina nas
congressões finais de 31 de Julho de 1882 e 1883. Muitos dos exemplares que
colectou foram organizados e enviados por Júlio Henriques para outros
herbários, por toda a Europa, nomeadamente o Herbário de Berlim. Foi um
valoroso colector de espécies animais, vegetais e fungos, em Portugal e em
África, tendo realizado uma importante expedição científica a São Tomé e
Príncipe, com a duração de quatro meses, em 1885, da qual elaborou um catálogos
descritivos dos produtos destas ilhas, que foram apresentados na Exposição
Insular e Colonial Portuguesa, no Palácio de Cristal (Porto), por ocasião das
festas do 5.º centenário do nascimento do Infante D. Henrique (Lisboa, 1896).
Durante os quatro meses que durou a expedição, apenas fez questão de receber as
despesas da viagem e o indispensável para o seu sustento e trouxe, no seu
regresso a Portugal, 249 espécies zoológicas e 735 exemplares de herbário, bem
como uma valiosa colecção mineralógica e etnográfica. Pela qualidade do seu
trabalho e dedicação à ciência, obteve uma portaria de louvor pelo então
governador de S. Tomé e Príncipe, e um voto de louvor e agradecimento votado em
congressão pela Faculdade de Philosofia da Universidade de Coimbra.
Cientistas
nacionais e internacionais, que estudaram, identificaram e classificaram os
muitos espécimes por si colectados, dedicaram-lhe muitas espécies nacionais e
estrangeiras, como: Polypodium molleri Bk, Polytrichum molleri Müll., Molleriana mirabilis Winter, Lecidea Molleri Henr., etc.
Também teve uma
contribuição importante nos estudos fenológico do Dr. H. Hoffmann –
Director do Jardim Botânico de Giessen –, fazendo observações e registos fenológicos
sistemáticos e rigorosos, ao longo de vários anos, nas plantas do Jardim
Botânico de Coimbra, que foram publicadas na publicação fenológico anual
“Phänologische Beosbachtungen”, dirigida pelo próprio Dr. H. Hoffmann.
Ao longo da
sua vida, Adolpho Möller colaborou com diversas publicações científicas
nacionais e estrangeiras, como: Gazeta de
Pharmácia (Lisboa), Portugal Agrícola,
O Tribuno Popular, O Instituto (Coimbra), Jornal da Sociedade Pharmacêutica Lusitana,
Jornal da Real Associação de Agricultura
Portuguesa, Gazeta das Aldeias, Jornal Hortícola-Agrícola, Jornal de Horticultura Prática, Boletim da Sociedade Broteriana, Correspondência de Coimbra, Berichten der Deutschen Pharmaceutischen
Gesellschaft (Berlim), Der Tropenfflanzen, etc. Publicou diversos trabalhos,
como catálogos de plantas e artigos sobre agricultura, silvicultura,
floricultura, horticultura, farmacêutica e botânica médica. Dos trabalhos que
escreveu e publicou, destacam-se o “Catálogo das Plantas Medicinais que habitam
o continente português” e diversos trabalhos sobre as plantas úteis de África
equatorial e um conjunto de artigos notáveis sobre São Tomé.
Foi sócio
honorário da “Sociedade Pharmacêutica Lusitana”, de Lisboa, e correspondente da
“Sociedade de Geographia Commercial”, do Porto e da “Sociedade Promotora da
Indústria Fabril”, de Lisboa.
Morreu em 1920,
em Lisboa.
Jorge Guimarães
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